Enfraquecido, setor de TI de Curitiba precisa de novas lideranças

2018 marca o possível retorno, na prática, de programas de incentivo ao setor de Tecnologia da Informação de Curitiba. A Prefeitura já anunciou que vai reativar o Tecnoparque, que dá incentivos, entre eles, de redução de impostos, mas que não aceita novas adesões desde a gestão anterior. A Agência Curitiba estuda formas de facilitar a entrada de novas empresas no programa e também deseja ver novamente em ação o ISS Tecnológico, que facilita compra de equipamentos com incentivo fiscal, mas esbarra em burocracia contida na legislação atual e também na exigência de aumento de carga tributária para conceder benefícios.

O empresariado local foi chamado para contribuir, apresentar sugestões, mas não tem respondido a contento. Em recente evento da associação que representa o setor, não passou de duas dezenas o número de empresas que compareceram a um importante encontro com a direção da Agência Curitiba para tratar do assunto. Foi um evento fechado, apenas par associados, que também tentou manter a imprensa à distância. Tal encontro, enfraquecido pelo número de representantes, mostrou baixa representatividade do setor de TI na capital. Este mesmo setor, anos atrás, já mostrou muita força ao ampliar os benefícios do Tecnoparque para toda a cidade e reuniu centenas de empresários para oficializar a conquista.

Com uma liderança forte e engajada e comunicação eficiente, na época, o grupo do APL de Software de Curitiba, que representa a TI da capital também criou uma Central de Negócios e até uma S/A para desenvolver projetos, compartilhar conhecimento e vender produtos e soluções em conjunto. Mas a liderança atual, que não tem poder de influência entre empresários e políticos, sofre para encher uma sala de reunião ou um auditório e perde espaço, na preferência das autoridades, para startups que têm crescido exponencialmente, gerando milhares de novos empregos, Volta, TI de Curitiba!

Com incentivo à inovação, Curitiba almeja ser o Vale do Silício brasileiro – Por Diogo Kastrup Richter


A inovação tecnológica é visualizada cada vez mais como um importante meio de crescimento econômico e de melhora dos índices de qualidade de vida, perseguida pelos setores público e privado.

Antes praticamente restritos aos geeks do Vale do Silício, termos como aceleradoras, incubadoras, investidores-anjo e venture capital são jargões cada vez mais corriqueiros no ambiente empresarial. Governos têm gradativamente destinado recursos para atrair ideias inovadoras para os seus domínios. Instituições de ensino, que são referência no conhecimento de ponta, têm buscado parcerias com esses agentes do ecossistema de inovação.

O poder de transformação da inovação e da tecnologia não tem passado despercebido em solo tupiniquim. De acordo com o ranking das Empresas Mais Inovadoras do Mundo, da Fast Company, o Brasil é sede de cinco das 350 empresas mais inovadoras do mundo e, recentemente, alcançou a façanha de conquistar sua primeira startup unicórnio (valor de mercado maior que US$ 1 bilhão).

Parques tecnológicos, fomentados por parcerias público-privadas, têm surgido em diversas cidades brasileiras – tal como o Sapiens Parque, em Florianópolis, e o Porto Digital, em Recife – todos disputando a alcunha do Vale do Silício brasileiro. A par desse cenário, a Prefeitura de Curitiba implantou, em 2017, a Política Municipal de Fomento ao Ecossistema de Inovação, à qual se deu o nome de Vale do Pinhão. É uma política de integralização de ações de universidades, investidores, grandes empresas e startups para a geração de negócios inovadores na capital paranaense, fazendo dela um polo de tecnologia nacional.

A Prefeitura anunciou, no fim de maio deste ano, o relançamento do Programa Curitiba Tecnoparque. Inativo desde 2013, o Programa concede diversos benefícios fiscais a companhias de setores considerados estratégicos, como empresas de telecomunicação, informática, pesquisa e desenvolvimento, design, ensaios de qualidade, instrumentos de precisão e automação industrial, biotecnologia, nanotecnologia, novos materiais, saúde, meio ambiente e outros setores produtivos de base tecnológica. Mediante a submissão de projeto de Pesquisa e Inovação à Agência Curitiba, gestora do Curitiba Tecnoparque, as empresas de tecnologia localizadas na capital paranaense podem contar com alíquota de 2% de ISS (ordinariamente de 5%), bem como, se instaladas no Setor Especial do Programa, com isenção de IPTU, de taxa pelo exercício do poder de polícia, de contribuição de melhoria e, ainda, de ITBI, para a instalação do estabelecimento comercial.

Com a significativa diminuição da carga tributária suportada pelo setor de tecnologia, a Prefeitura espera atrair negócios inovadores para a cidade, que já é casa de diversas startups de relevância nacional e internacional. Mas o trabalho não deve parar por aí: de acordo com o Índice das Cidades Empreendedoras, da Endeavor Brasil, o município ainda carrega o fardo de um ambiente regulatório complexo, o que torna manutenção de negócios na cidade um verdadeiro desafio burocrático – em terras onde o custo Brasil é conhecido por tornar o empreendedorismo uma atividade difícil, senão impraticável.

Com essas medidas, espera-se que a cidade Luz dos Pinhais se mantenha na trilha para se tornar um baluarte de inovação e tecnologia nacional – e uma chama de esperança à castigada economia brasileira. Afinal, ambientes de inovação saudáveis, lastreados em instituições eficientes, favorecem a difusão de conhecimento entre os diversos segmentos da sociedade, atingindo o interesse público em múltiplas facetas. Resultado: todos saem ganhando.

Diogo Kastrup Richter, advogado do departamento tributário do escritório Marins Bertoldi.

Vale do Pinhão: Curitiba precisa de muito mais do que um nome engraçadinho para ser referência em tecnologia

Prefeito Rafael Greca, durante eleições, já falava a empresários sobre o Vale do Pinhão

Nos últimos quatro anos, Curitiba viveu um “período de trevas” no incentivo ao setor de tecnologia. A prefeitura da cidade congelou programas importantes como o ISS Tecnológico e o Tecnoparque, cuidou mal da relação com o ICI, principal fornecedor de TI do município, abandonou o Parque de Software. A criação de uma secretaria para Tecnologia Informação não mostrou qualquer resultado positivo. A cidade pagou o preço: viu Florianópolis despontar como “capital tecnológica” e apresentou menos iniciativas inovadoras do que municípios do interior do Paraná.

Agora, em uma elogiável demonstração de boa vontade, o novo prefeito Rafael Greca anuncia a criação do “Vale do Pinhão” para incentivar a economia criativa, as startups e o setor de TI. Mas a novidade, que lembra o tom poético do criador precisa mostrar que pode ser mais que rima. Curitiba precisa, mesmo, é de uma grande solução. O problema é que esse Vale do Pinhão parece com iniciativas que já não funcionaram em um passado recente, a começar pelo nome: a gestão anterior apoiou a tal da Capivalley, que também tinha um nome engraçadinho, mas não vingou. Afastadas as capivaras inspiradoras das mídias sociais da gestão anterior, cria-se outra marca que se identifica com a população local, mas que pode acabar não convencendo o mercado lá fora. Afinal, aposta em tecnologia é para vender para o mundo. Essa é a força do Vale do Silício.

Além do novo nome, outra aposta de Greca é a ocupação de um espaço decadente no bairro Rebouças. A ideia é integrar o setor produtivo à academia, com universidades instaladas ao redor. Mas a área nunca atraiu a atenção do empresariado do setor. Já se apostou nessa região quando Beto Richa foi prefeito e o incentivo do Tecnoparque, por exemplo, acabou sendo estendido para toda a cidade, na gestão de Luciano Ducci, porque não havia espaço para todos nas áreas delimitadas e a demarcação interessava mais aos especuladores imobiliários do que aos empreendedores da TI local.

Se Curitiba quer ser grande em tecnologia, precisa ir além do “mais do mesmo” e de soluções batidas, que voltam com rótulo diferente. Acredito que o primeiro passo seja a criação de uma Governança de TI municipal, tomando, como exemplo, o que se criou, recentemente, em nível estadual para a convergência de ideias e estratégias. Mas o mais importante é ouvir a voz de quem cria as soluções inovadoras. A união do setor produtivo com poder público e academia é muito boa, ,mas o Facebook não foi criado pelo reitor de Harvard, a Microsoft não é obra de um governador e a Apple não surgiu de algum devaneio do prefeito de Cupertino. Empreendedorismo é coisa de empreendedores.

Agência Curitiba trava programas de incentivo ao setor de TI. Benefícios, se acontecerem, ficam para 2015

É grande a apreensão entre empresários de tecnologia da informação de Curitiba com a lentidão da Agência Curitiba de Desenvolvimento no tratamento da questão do incentivo ao setor. Desde a campanha eleitoral, a equipe de Gustavo Fruet abriu diálogo com representantes do empresariado, tem feito constantes reuniões, mas peca ao “pensar muito e agir pouco”. O que se fez, até agora, foi suspender os programas ISS Tecnológico e Curitiba Tecnoparque com base em supostas falhas na legislação. Isso foi rápido e sem muita discussão. Agora, cumpre-se um processo lento e minucioso como aqueles de editais de financiamento à inovação, bem ao estilo de quem valoriza mais a teoria do que a prática do mercado. Manual de Oslo à parte, já se fala em 2015 para o anúncio de algum plano de desenvolvimento do setor tecnológico no município. Para muitos empresários, a Agência Curitiba quer atingir um “modelo ideal”, enquanto outras grandes cidades do país e até do Paraná, como Maringá, apresentam, rapidamente, ações de incentivo e fomento aos desenvolvedores e integradores de soluções tecnológicas. Para alguns, a solução pode estar na transferência de empresas de TI para a região metropolitana de Curitiba em municípios com ISS reduzido.