Transformação digital nas instituições financeiras

Por Ricardo Anhesini

Os últimos dez anos trouxeram inovações sem precedentes para as instituições financeiras com o surgimento de novos canais de relacionamento e automação dos modelos operacionais em todos os ciclos do back office. No entanto, de acordo com executivos do setor, a transformação apenas começou. Essa é uma das conclusões da pesquisa CEO Outlook 2018, conduzida pela KPMG Internacional, que consolidou a opinião de 120 CEOs de instituições financeiras globais.

Quase metade dos entrevistados disseram que esperam que a onda de transformações se intensifique nos próximos três anos. A boa notícia é que a maioria dos CEOs parece ter a atitude correta, já que mais de dois terços veem oportunidades na disrupção tecnológica, e não apenas ameaças. Além disso, 63% disseram acreditar que as Organizações que lideram já contribuíram para a renovação do setor.

Os entrevistados também revelaram planos para seguir incentivando a inovação nos próximos anos. Cerca de 70% dos executivos planejam investir mais em infraestrutura digital, tecnologias emergentes e inovações nos produtos e serviços. A maioria, 81%, informou que deve aumentar o investimento em Data & Analytics nos próximos três anos, enquanto 72% investirão mais em IoT e 66% em tecnologias cognitivas.

Os números sugerem que estabelecer o roteiro certo da mudança será um diferenciador crítico, com 43% dos entrevistados revelando preocupação com a capacidade de escolher a plataforma adequada de inovação, em um ambiente em que as alternativas se multiplicam rapidamente. A pesquisa ainda revelou quais as principais barreiras à inovação na visão dos CEOs: 1. complexidade da implementação de novas tecnologias, 2. a disponibilidade orçamentária e 3. a atração de talentos.

As instituições financeiras precisarão superar esses desafios rapidamente se quiserem participar da próxima fase da transformação digital. Embora a última década tenha proporcionado mudanças maciças, os próximos dez anos trarão um novo nível de desafios com a constante evolução dos negócios e modelos operacionais. Nesse sentido, destacamos a seguir os cinco elementos, que a compilação dessa pesquisa nos revela como chave para impulsionar a inovação:

– Customer Experience. As organizações financeiras estão desmembrando silos dentro dos negócios para expor uma visão única e possibilitar novos insights sobre necessidades, desejos e expectativas dos clientes.

– Inovação é prioridade. Responsabilidade compartilhada, sendo prioridade de diretoria e imperativo organizacional. A estratégia de inovação deve ser conduzida pelo CEO e apoiada por executivos engajados.

– Aprimoramento das capacidades. Os principais bancos estão na vanguarda na retenção de talentos para garantir a variedade de novas habilidades da equipe. Transformação no RH é fundamental para apoiar o ciclo de inovação.

– Dados são ativos relevantes. As principais Organizações já compreendem a importância da gestão dos dados. Sua qualidade e acessibilidade são fatores fundamentais e o uso da nuvem em arquiteturas abertas.

Parcerias não convencionais. Parcerias com players menos convencionais, como redes do varejo, provedores de serviços ou até outros bancos estão se tornando comuns para inspirar e manter a inovação.

Os líderes do setor estão convencidos que suas Organizações podem ser protagonistas na inovação bancária, coexistindo com os agentes de disrupção e com a vantagem de empenharem, nesse processo, seu conhecimento do setor, dos clientes e seus melhores talentos. Mas também reconhecem que precisarão ser ainda mais ágeis e assertivos para responder à velocidade da evolução tecnológica, e que a próxima onda de inovação será ainda mais proeminente.

Ricardo Anhesini, sócio-líder de Serviços Financeiros da KPMG no Brasil.

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