Abrir capital pode ser oportunidade também para médias empresas familiares

Um movimento tem chamado a atenção de quem trabalha com mercado de financeiro. É o crescimento do interesse das empresas médias no mercado de capitais para captação de recursos para financiamento de projetos de crescimento.

“Além do perfil mais clássico de empresas na bolsa, estamos assistindo médias empresas, com faturamento de R$ 400 a R$ 500 milhões, entrando no mercado de capitais. Estão indo à bolsa e olhando como oportunidade”, diz Osvaldo Schirmer, VP do Conselho de Administração das Lojas Renner. O tema foi abordado em webinar realizado na última semana e mediado pelo presidente do Conselho Amcham Curitiba e fundador e CEO da RCA Governança e Sucessão, Marcos Leandro Pereira.

“Em 2019, 42 empresas captaram recursos por meio de ofertas de ações, enquanto entre janeiro e julho deste ano, foram 23. Considerando apenas aberturas de capital, foram 5 em 2019 e 10 em 2020, sendo que cerca de outras 30 empresas já iniciaram formalmente o processo de abertura de capital na CVM e na B3”, informa Rogério Santana, diretor de Relacionamento com Empresas e Assets da B3.

Reflexões antes de ir à B3

Segundo o conselheiro Osvaldo Schirmer, o empresário que considera abrir capital deve refletir sobre seu tamanho, a possibilidade de inovação o nível de atualização tecnológica do seu negócio, as oportunidades que o mercado oferece. Também é importante mensurar e ter consciência das consequências dessa abertura. “É um caminho sem volta, por isso é importante o empresário ter mente um check list das implicações e ter consciência que estar no mercado muda todo ritual da empresa”, exemplifica. “O aspecto cultural é bastante relevante, e a empresa precisa estar preparada para prestar contas não para si mesma, mas para o mercado, o que é diferente. Existe uma nova dinâmica que precisa ser levado em consideração”, concorda Santana.

Entre as motivações das empresas que pretendem acessar a B3, captar recursos para o negócio é uma delas, mas outras também são observadas: busca da perenidade no mercado, fortalecimento de práticas e da governança, liquidez para os sócios originais, visibilidade institucional, além da facilitação do processo de fusões e aquisições, já que o mercado se torna um balizador para preço das ações.

Entre os requerimentos para listagem na B3 estão: ser uma sociedade anônima, ter três anos de balanço auditado por um auditor independente registrado na comissão de valores mobiliários (CVM), ter ou obter um registro na categoria ‘A’ na CVM, ter um diretor estatutário e um conselho de administração, identificar eventual segmento de listagem e fazer pedido de admissão na B3. Para aquelas que seguem a ICVM 400, é preciso também definir a estratégia da oferta e fazer o registro na CVM. Com a norma 476, esclarece Rogério Santana da B3, o número de documentos para registro é reduzido, assim como o prazo que pode chegar a até uma semana. Outra ação necessária é levar ao mercado a tese de investimento, contendo análise do negócio, da concorrência, do estágio do negócio, da estratégia da empresa, entre outras informações.

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