Executivos de finanças se reúnem em Curitiba para discutir os impactos da Lei Geral de Proteção de Dados no setor

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Muitas pessoas ficam incomodadas com a quantidade de dados que as empresas solicitam na hora de fazer o cadastro de um comprador. E, ultimamente, não são apenas os dados cadastrais de interesse dessas empresas que são requisitados, mas também informações comportamentais como hábitos de compra, práticas digitais, estilo de vida, etc. Na maioria das vezes, os dados pedidos aparentemente não possuem a menor relação com a finalidade da empresa, deixando o consumidor ainda mais intrigado por saber o que é feito com essa informação. A única certeza é que não ficarão armazenados apenas em um sistema de CRM.

Por isso foi criada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrará em vigor em agosto de 2020 e é uma adaptação do Regulamento Geral de Proteção de Dados, implantado pela União Europeia em 1995 com o objetivo de regulamentar o tratamento de dados pessoais de clientes, realizado pelas empresas no âmbito online ou offline. A nova regra exigirá que as empresas solicitem a permissão do cliente para coleta, classificação, utilização, processamento, armazenamento, compartilhamento, a transferência ou qualquer outro tipo de tratamento dos dados, garantindo mais privacidade e controle aos usuários sobre suas informações.

A lei visa proteger de forma mais prática os dados pessoais que deveriam ser confidenciais e de propriedade única, e não comercializados sem autorização do consumidor, com objetivo de fomentar a venda de produtos que, na maioria das vezes, o cliente não está interessado. O resultado dessa prática se dá por diversos e-mails de promoções, SMS, spams e as incômodas ligações de telemarketing.

A LGPD E OS EXECUTIVOS DE FINANÇAS

Na última semana, os executivos de finanças de grandes empresas de Curitiba se reuniram para discutir os impactos e as mudanças que a Lei Geral de Proteção de Dados trará ao setor. O evento reuniu mais de 58 profissionais entre executivos, advogados, contadores, empreendedores, gestores e líderes de empresas de todos os portes.

O gestor do projeto LGPD no Grupo Marista, Luciano Johnson, apresentou no evento um case que, há mais de um ano, vem sendo trabalhado em função das adaptações exigidas pela lei. Marina Bozzola é advogada especialista em LGPD da Ferraz de Camargo e Matsunaga Advogados (FCAM), e também dialogou sobre o tema na ocasião e compartilhou suas experiências na área como Legal Services pela KPMG. “É importante destacar que a aplicação da LGPD não é opcional, mas uma norma que deve ser observada por todas as empresas que, em caso de violações, estão sujeitas a penalidades. A lei deve ser encarada como um novo programa de compliance interno a ser seguido durante toda a vida da empresa e pode agregar muito valor aos produtos e serviços ofertados. A correta observação da LGPD pode criar um diferencial de mercado, agregando valor de marca”, pondera Bozzola.

Para Johnson, o maior desafio das empresas que precisam se enquadrar às exigências da lei é com relação ao investimento em uma estrutura que poderá ser necessário, a política interna de compliance ou a terceirização desse processo. “Muitas empresas não estão preparadas para a mudança que a lei propõe. São necessárias adequações na área de segurança da informação e, a maioria delas, não tem noção disso. Muitos estão em dúvida se contratam uma consultoria ou se encabeçam internamente o processo de mudança”, afirma o gestor.

Porém, com pouco menos de um ano para entrar em vigor, a Lei Geral de Proteção de Dados poderá trazer vantagens para os cidadãos e para as empresas que realizam o tratamento de dados pessoais. O líder do projeto no Grupo Marista ainda destaca a oportunidade das empresas revisarem os seus processos, deixando-os mais seguros. “O maior benefício da lei para as organizações é a revisão dos processos de negócio. Quem souber aproveitar essa oportunidade ganhará uma grande eficiência corporativa”, complementa.

O evento recebeu patrocínio da Blackberry Cylance, além dos patrocinadores de gestão: Banco Alfa, da Gaia Silva Gaede & Associados – Sociedade de advogados, da PwC Brasil e da Universidade Positivo.

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