Pandemia: da adaptação aos impactos culturais nas organizações e transformação digital

Por Daniel da Rosa

Entre tantas mudanças e desafios do atual cenário, não há dúvidas que a pandemia da covid-19 elevou o mundo VUCA para um novo e inesperado patamar. O momento traz exatamente isso: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. E como se adaptar a tantas transformações?

O que todos chamam de “novo normal”, expressão já repetitiva, também começa a perder o sentido. Realmente estamos em um mundo totalmente novo, mas que não tem nada de normal. A pandemia alterou a vida de todos, inclusive das organizações. Tudo virou de cabeça para baixo e nada será o mesmo quando tudo passar.

Por natureza, o ser humano é um ser social, mas como viver em um mundo que não permite encontros de pessoas, aglomerações, apresentações, entre outras coisas que faziam parte do cotidiano? É um sentimento de medo por um inimigo microscópico e invisível.

Ao ver uma crise como essa, cabe citar uma frase que foi atribuída a Charles Darwin, talvez não de forma correta, pois pode ser de outra autoria: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

E ao falar nessas mudanças, vemos que o Brasil e muitas organizações caminhavam a passos lentos na transformação digital e no uso de ferramentas digitais tão importantes. O curioso é que a pandemia serviu de mentora ou guru, de forma a impulsionar a transformação digital, pelo menos na parte da comunicação. Já foram incorporadas em nosso vocabulário frases do tipo: “vamos fazer um Zoom”, sem esquecer de outras plataformas de reuniões e encontros on-line.

Isso é um exemplo de adaptação para a própria sobrevivência, assim como outras práticas digitais que o mundo adotou ou intensificou rapidamente, como compras de produtos e serviços on-line, Educação a Distância (EAD), entre outros.

Então quer dizer que já atingimos a maturidade para a transformação digital? Infelizmente, não. Apenas recebemos um impulso extra, um alerta, uma motivação.

E, hoje, obrigados pela necessidade, muitos perderam a resistência inicial aos recursos digitais e ao uso corporativo das redes sociais. Mas, ainda falta muito senso de urgência e não é só no Brasil.

Uma análise recente do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) mostra que somente 1/3 das organizações conseguiram se adaptar a uma cultura digital. Não é por falta de instrumentos, pois hoje é possível comprar ou contratar a maioria das ferramentas digitais disponíveis.

O gargalo maior está na cultura, na tão conhecida e pouco entendida mudança cultural, que é o ambiente que precisa ser criado nas organizações para que todos queiram a transformação, ao ver um benefício na mesma e não um risco, e que apoiem com entusiasmo tal mudança.

Mas como saber em que grau de transformação digital a nossa organização está? E nós, em que nível estamos? Existem várias ferramentas sofisticadas de diagnóstico, mas há também um jeito simples e intuitivo.

Verifique se à sua volta ainda há muito papel, processos manuais, dificuldades em coletar e analisar dados, se as decisões não têm sido tomadas automaticamente, se há necessidade de muitos telefonemas e conversas para resolver algo ou, então, quando há um desvio ou algo inesperado no processo todos saem correndo e não sabem bem o que fazer?

Se você respondeu sim a algumas dessas perguntas, certamente você ou a sua organização tem um grande potencial de melhoria. Mas é uma boa notícia, isso porque a transformação digital pode alavancar os seus resultados, serviços e a satisfação dos clientes.

Muitos questionam a velocidade ideal de avançar na transformação digital e na Indústria 4.0. A resposta é: muito rápido e de preferência tenha mais agilidade do que o seu concorrente, caso contrário você e a sua organização correrão um sério risco de ficar obsoletos. Esse é o momento de se adaptar ao novo mundo.

Daniel da Rosa, conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná). Também é diretor regional do Sindicato da Indústria de Autopeças (Sindipeças).

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